Você, mulher, estando grávida, participaria de uma pesquisa científica com testes de medicamentos?

Você, homem, estando grávido, concordaria que sua companheira participasse de uma pesquisa científica com testes de medicamentos?

A Dra. Anne Drapkin Lyerly (Duke University), obstetra e especializada em Bioética, afirma que as mulheres grávidas deveriam sim, participar, e que só assim a medicina poderá desenvolver melhores formas de tratamento de condições que acometem o feto e as mulheres durante a gravidez.

Altamente controverso. Estou comentando isso aqui porque não fui capaz de chegar a uma conclusão justamente em termos éticos. Por exemplo, há poucos dias postei aqui que apenas uma em cada cinco pesquisas com câncer que fracassam são reportadas em periódicos científicos e chegam ao conhecimento dos outros cientistas e, potencialmente, da sociedade.

Deixando os falsos pudores de lado, temos que ver que, em grande parte dos casos, os pacientes de câncer morrem em pouco tempo. Logo, não haveria a quem responsabilizar a não ser o próprio câncer e ninguém virá a público discutir se seu parente morreu seis meses ou um ano antes do que deveria.

Mas uma criança ainda irá nascer e terá uma vida toda pela frente. E aí? Como lidar com as falhas dos medicamentos e, principalmente, com os efeitos colaterais? Ninguém vá dizer que só serão testados medicamentos que não terão nenhum efeito colateral, isso é absurdo, porque se os efeitos do medicamento já fossem conhecidos não haveria por que testá-lo.

As pesquisadoras, todas especialistas em bioética, se defendem: "Cerca de 500.000 mulheres grávidas passam por problema psiquiátricos, doenças auto-imunes e outras condições que exigem tratamento. Mas, na falta de pesquisas sobre como os medicamentos funcionam nas mulheres grávidas, os médicos freqüentemente têm que adivinhar como tratar de forma segura e efetiva as pacientes ao longo da gravidez."

Ou seja, na prática, os médicos estabelecem dosagens de medicamentos que podem estar completamente erradas, porque eles não sabem como o medicamento age na condição específica da gravidez, se ele passa através da placenta, como o corpo da mulher o metaboliza e libera.

Uma outra coisa que me chamou a atenção é que o artigo que acaba de ser publicado, chamado Risks, values, and decision making surrounding pregnancy é assinado por três mulheres. Além da Dra Anne, participaram Margaret Little e Ruth Faden, também ligadas à área de bioética.

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