O grupo da geneticista Lygia da Veiga Pereira, da USP, desenvolveu sua primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas, resultado de dois anos de pesquisas.
Até hoje o Brasil dependia de doações de células-tronco embrionárias de pesquisadores do exterior. Segundo o coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiopatias do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Campos Carvalho, a dependência da importação dos reagentes de outros países era um processo complicado. Para ele, a disponibilidade de uma linhagem celular no Brasil vai facilitar o trabalho de todos os laboratórios que lidam com células-tronco em terapias celulares.
Isto é tecnologia, e não ciência
Antonio Carlos pede cautela em relação à descoberta, que ele considera importante do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico.
"Nos deixa livres de patentes de propriedades intelectuais", afirmou. Entretanto, não se trata de uma descoberta científica, "na realidade é o desenvolvimento de um processo tecnológico, um importante domínio tecnológico".
Esta tecnologia é dominada no exterior desde 1998, mas seu desenvolvimento no Brasil sofreu as restrições da Lei de Biossegurança até meados deste ano.
Estudos clínicos com células-tronco
Carvalho lembrou que ainda não existe estudo clínico sendo feito com o uso das células-tronco embrionárias humanas. Existem três pedidos de autorização para esse tipo de estudo para células diferenciadas feitos por companhias norte-americanas, da Califórnia, junto ao Food and Drug Administration (FDA), mas até o momento nenhum ensaio foi autorizado.
"Todo esse cuidado é pelo enorme potencial de proliferação e de diferenciação que essas células têm. Não devemos correr o risco de ao tentar produzir um neurônio conseguir um osso. A comunidade médica tem que ser muito cautelosa na utilização de qualquer tipo de célula porque antes é preciso que se chegue a ensaios clínicos, de uma margem de segurança muito grande, senão em vez de benefícios podemos ter prejuízos", advertiu.
Mais 5 anos de pesquisas
O coordenador acredita que ainda levará uns cinco anos para que os ensaios clínicos aconteçam. "O momento é de pesquisa nessa área e cautela é muito importante. Como qualquer célula que precise ser cultivada por um longo tempo, pois há o risco de acontecer alterações durante o processo e as células serem transformadas, o que poderia até induzir a tumores", afirmou.
Mas, de acordo com ele, a descoberta da primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas coloca o Brasil no mapa dos países que já desenvolvem esse tipo de pesquisa. "Já estávamos no mapa dos que fazem pesquisa com células-tronco adultas em terapias celulares".
Post com informações retiradas de artigo de Lúcia Norcio, da Agência Brasil.
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