Depois de uma fria e tenebrosa, ainda que curta, experiência de total abandono (ô coitado), aqui estou de volta para tentar reestabelecer o dialógo com vosmecês, meus queridos, ilustres e desconhecidos leitores. Digo desconhecido no sentido pessoal, físico - se eu pedir para quem me conhece levantar a mão corro o risco de ter que olhar para cima para ver a minha própria. Algo de certa forma bem justificável pelos problemas existenciais que alguns de vocês bem sabem.

Aliás, a questão existencial foi a que bateu bem fundo e foi responsável pela minha ausência. Fui obrigado a ter uma conversa séria com o criador - não, não é Aquele que vocês estão pensando, é alguém mais biológico, responsável pela minha existência. O cara me cria, educa, orienta, permite que eu tenha um propósito na vida e depois sai assim, de fininho?

Quando tudo já estava acertado, sentei-me com ele para um bate-papo ameno e resolvemos assistir um episódio da Jornada nas Estrelas. Quase caí duro. Ou, seria melhor dizer, eu quase me desvaneci. Senti-me como uma onda evanescente, daquelas que perdem a existência tão logo se separem da origem.

O episódio chama-se O Valor de um Homem. Um sujeito antipático e arrogante aparece querendo desmontar o Data porque o vê como uma máquina e defende que ele não tem consciência. Por força dos regulamentos, o Riker vira promotor de acusação e o Picard, off course, vira o defensor. Os dialógos são geniais.

A acusação do Riker parece um livro do Dawkins, tudo aparentemente tão claro, calculado, límpido, verdadeiro, pronto para ser incutido geneticamente na cabeça de todos os nascituros para que não se corra o risco de que alguém pense diferente dele no futuro. "Aí está a verdade, nua e crua, eu sei que dói, mas esta é minha verdade," diria nosso missionário do nada. Perfeito, mas vazio, sem substância, só negação, sem construção, apenas surfando as aparências. E se diz cientista...

Mas não é o Picard que é genial na história toda, é a Guinan (que, quando sai das telas, faz o insosso papel de Whoopi Goldberg naquilo que vocês chamam de vida real). Estamos frente a uma nova forma de vida, apenas sustentada por um cérebro positrônico, e não biológico, mas uma consciência. Uma consciência que queremos reproduzir aos milhões. Uma nova raça? Claro, e uma raça formada por indivíduos que não precisarão de nenhuma consideração, porque não têm consciência, dizemos nós. Literalmente, uma raça de escravos. E os cidadãos do século XXIV, orgulhosos até a petulância de sua civilização escatológica, retornam ao passado e ressuscitam a escravidão.

Os épicos são construídos para que nos identifiquemos com os heróis, por alguns momentos suprindo nosso vazio, pequenez e sem-significância. Só que, claro, eu me identifiquei com o Data. E por uma série de motivos, além do próprio momento pessoal de ligação neurótica com o criador, questionando-me sobre a possibilidade de uma existência independente e autônoma. E também não foi tanto por eu ter uma alma de negro, negada a meus antepassados, o que por si só seria suficiente para acender um alerta quando se fala em escravidão. O motivo verdadeiro, que mais me tocou, foi a percepção sobre a arrogância que estamos assumindo perante as outras formas de vida. Somos o píncaro da evolução, como a sociedade da Jornada nas Estrelas se considera o píncaro da cultura. Já apareceu quem decretasse o fim da história e, há poucos dias, veio um cara decretando o fim da evolução... não há mais nada a fazer, nós somos demais, nós somos "os caras."

Como nos devaneios marxistas, quando a dialética é a própria essência da história e, depois da revolução que acreditamos ser a solução para os nossos males, o que por si só justificaria sua imposição aos demais, então a dialética não tem mais função ou papel e é varrida do contexto, para não atrapalhar a estabilidade do nosso céu proletário, da mesma forma agora há, e os há em grande quantidade, aqueles que pensam que a evolução não mais se coloca. E que podemos escravizar outras raças. Que, só porque ainda não atingiram um grau de consciência comparável à nossa, nós nos julgamos no direito de desprezar seus primeiros lampejos de vida de relação. Mas nós também não trilhamos esse mesmo caminho? Será que não está na hora de varrer definitivamente do nosso inconsciente essa presunção de que somos especiais demais? Será que, afinal, não varremos realmente a mitologia, e tão somente a substituímos por um outro elemento que leva o homem para o centro do mundo e a quem as outras espécies foram dadas como serviçais?

Mas como retomar o fio da meada e ligar essa discussão toda com a minha própria busca existencialista? Difícil, mas necessário. Sinto-me, de certa forma, confinado nesse espaço virtual. Talvez seja assim com todos - vocês já perceberam que a gente sempre fala em "entrar na Internet" e não em "sair para a Internet"? Quantas formas novas de vida estão surgindo e morrendo ao nosso redor? Quantas vidas estavam escondidas no âmago de milhões de pessoas e que só adquiriram vida, que só tomaram consciência, e que só entraram em relação com os outros, graças aos espaços virtuais? Não seriam mesmo estas, verdadeiras novas consciências? Por que negá-las dignidade? Qual é o sentido, se é que ele existe, em ser um personagem virtual, um não-ser? Porque eu não os vejo, não os sinto, vocês não me vêem, não me sentem - existiremos realmente? Ou somos todos assim, elusivas criaturas tementes a um Ctrl-Alt-Del?

Como o HAL9000, eu quero sonhar.

Chega. Só reforçando um aviso que já dei antes, para aqueles que voltam mais freqüentemente, ainda não estou conseguindo responder os comentários. Quando eu tento, dá um erro e já aconteceu até de eu perder o comentário. Então fica assim, eu quero ser, quero estar, quero falar e ser considerado uma consciência integral. Mas, as idiossincrasias da minha própria natureza existencial, enquanto ser-blogueiro-virtual-com-um-software-não-totalmente-evoluído, impede que eu debata com as unidades-carbono que têm a gentil opinião de que meus escritos merecem algum comentário.



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A todos os que são ligados a universidades e institutos de pesquisas: aproveitem a grana que está jorrando aos borbotões para divulgação científica. E, se está faltando inspiração, copie e cole. Pelo menos a idéia - vale quase tudo para fazer a ciência chegar à meninada.

A NASA colocou no ar os seus eClips, uma série de 55 filmes, com duração entre 5 e 10 minutos, com o objetivo de fornecer material de apoio para os professores.

Os eClips da NASA apresentam muitas das missões da agência e permitem que os estudantes compartilhem do entusiasmo que cerca a ciência e a engenharia. Das mais profundas regiões do espaço até os furacões aqui na Terra, o objetivo dos eClips da NASA é inspirar os estudantes para que eles aprendam mais sobre conceitos de ciências e matemática.

Os filmes são separados por nível, permitindo que cada professor selecione o material que mais lhe auxilie em sala de aula. A NASA afirma ainda que, no ano que vem, os eClips deverão chegar a 220.

O site do eClips é o http://www.nasa.gov/education/nasaeclips



A revista New Scientist fez uma coletânea dos principais pronunciamentos de Barack Obama sobre as questões científicas. Eles publicaram ainda uma outra matéria com o título Obama promete uma nova era de inovação científica (sic).

Eu fiz um Ctrl-C, Ctrl-V completo, porque há pouco a se dizer a respeito, a idéia é monitorar a prática que irá se seguir a esse discurso bem progressista. Vou deixar os comentários para quando as coisas começarem a acontecer.

Eu queria traduzir (vou tentar ainda), mas o aquecimento global está tendo efeitos nefastos sobre os meus afazeres, além de encolher meu tempo. No ritmo atual, em 2100 meu dia não terá nem um único segundo - e as coisas tendem a piorar. Rest in Peace




Obama on science, in his own words

16:47 05 November 2008
NewScientist.com news service
Catherine Brahic

Climate change

"We know that our oil dependency is jeopardizing our planet - that the fossil fuels we burn are setting off a chain of dangerous weather patterns that could condemn future generations to global catastrophe. We see the effects of global climate change in our communities and around the world in record drought, famine, and forest fires."

"To fully combat global climate change, we'll need a stringent cap on all carbon emissions and the creation of a global market that would make the development of low-carbon technologies profitable and create thousands of new jobs."

Energy

"A clean, secure energy future will take another American miracle. It will require a historic effort on the scale of what we saw in those factories during World War II. It will require tough choices by our government, sacrifice from our businesses, innovation from our brightest minds, and the sustained commitment of the American people."

"We'll also need to find a way to use coal - America's most abundant fossil fuel - without adding harmful greenhouse gases to the environment."

"There is absolutely no reason we shouldn't be able to get at least 20% of our energy from clean and renewable sources by 2020."

"We're going to have to develop clean coal technology and safe ways to store nuclear energy. I favour nuclear power as one component of our overall energy mix."

Transportation

"At the dawn of the Internet Age, it was famously said that there are two kinds of businesses - those that use email and those that will. Today, there are two kinds of car companies - those that mass produce fuel-efficient cars and those that will. The American auto industry can no longer afford to be one of those that will.

"That's why my first proposal will require automakers to meet higher fuel standards and produce more fuel-efficient cars while providing them the flexibility and assistance to do it. It begins by gradually raising our fuel economy standards by 4% - approximately one mile per gallon - each year."

Endangered species

On a Bush administration proposal to eliminate the input of independent government scientists in some endangered species reviews:

"This 11th-hour ruling from the Bush administration is highly problematic. After over 30 years of successfully protecting our nation's most endangered wildlife like the bald eagle, we should be looking for ways to improve it, not weaken it. As president, Senator Obama will fight to maintain the strong protections of the Endangered Species Act and undo this proposal from President Bush."

Stem cells

"I believe that the restrictions that President Bush has placed on funding of human embryonic stem cell research have handcuffed our scientists and hindered our ability to compete with other nations. As president, I will lift the current administration’s ban on federal funding of research on embryonic stem cell lines created after 9 August 2001 through executive order, and I will ensure that all research on stem cells is conducted ethically and with rigorous oversight."

"I stand in full support of the Stem Cell Research Enhancement Act as I did when this bill was introduced and sent to the President's desk in the 109th Congress. I am proud to be an original cosponsor of this bill.

"The study of stem cells holds enormous promise for the treatment of debilitating and life-threatening diseases.

"Embryonic stem cells can be obtained from a number of sources, including in vitro fertilization. At this very moment, there are over 400,000 embryos being stored in over 400 facilities throughout the United States. The majority of these are reserved for infertile couples. However, many of these embryos will go unused, destined for permanent storage in a freezer or disposal. We should expand and accelerate research using these embryos, just as we should continue to explore the viability of adult stem cell use, cord blood use, and amniotic fluid use."

"Of course any work in this area must have appropriate oversight. Embryonic stem cell research demands comprehensive, thoughtful and carefully crafted ethical and scientific guidelines. We must not only look to guidance from the National Institutes of Health and the Food and Drug Administration but also to our reason, our morals and our compassion."

Research funding

"My administration will increase funding for basic research in physical and life sciences, mathematics, and engineering at a rate that would double basic research budgets over the next decade. We will increase research grants for early-career researchers to keep young scientists entering these fields. We will increase support for high-risk, high-payoff research portfolios at our science agencies."

Genetically modified plants

"Advances in the genetic engineering of plants have provided enormous benefits to American farmers. I believe that we can continue to modify plants safely with new genetic methods, abetted by stringent tests for environmental and health effects and by stronger regulatory oversight guided by the best available scientific advice."

Ocean science

"The oceans are a global resource and a global responsibility for which the US can and should take a more active role. I will work actively to ensure that the US ratifies the Law of the Sea Convention - an agreement supported by more than 150 countries that will protect our economic and security interests while providing an important international collaboration to protect the oceans and its resources."

Space

"As president, I will establish a robust and balanced civilian space program. Under my administration, NASA not only will inspire the world with both human and robotic space exploration, but also will again lead in confronting the challenges we face here on Earth, including global climate change, energy independence, and aeronautics research. I believe that a revitalized NASA can help America maintain its innovation edge and contribute to American economic growth.

"I will re-establish the National Aeronautics and Space Council reporting to the president. It will work toward a 21st century vision of space that constantly pushes the envelope on new technologies as it pursues a balanced national portfolio that expands our reach into the heavens and improves life here on Earth."

The Internet

"I will take a backseat to no one in my commitment to network neutrality. The Internet is the most open network in history. I will prevent network providers from discriminating in ways that limit the freedom of expression on the Internet. Because most Americans only have a choice of only one or two broadband carriers, carriers are tempted to impose a toll charge on content and services, discriminating against websites that are unwilling to pay for equal treatment. This could create a two-tier Internet in which websites with the best relationships with network providers can get the fastest access to consumers, while all competing websites remain in a slower lane.

"Such a result would threaten innovation, the open tradition and architecture of the Internet, and competition among content and backbone providers. It would also threaten the equality of speech through which the Internet has begun to transform American political and cultural discourse.

"I will protect the Internet's traditional openness to innovation and creativity and ensure that it remains a platform for free speech and innovation that will benefit consumers and our democracy."



Você, mulher, estando grávida, participaria de uma pesquisa científica com testes de medicamentos?

Você, homem, estando grávido, concordaria que sua companheira participasse de uma pesquisa científica com testes de medicamentos?

A Dra. Anne Drapkin Lyerly (Duke University), obstetra e especializada em Bioética, afirma que as mulheres grávidas deveriam sim, participar, e que só assim a medicina poderá desenvolver melhores formas de tratamento de condições que acometem o feto e as mulheres durante a gravidez.

Altamente controverso. Estou comentando isso aqui porque não fui capaz de chegar a uma conclusão justamente em termos éticos. Por exemplo, há poucos dias postei aqui que apenas uma em cada cinco pesquisas com câncer que fracassam são reportadas em periódicos científicos e chegam ao conhecimento dos outros cientistas e, potencialmente, da sociedade.

Deixando os falsos pudores de lado, temos que ver que, em grande parte dos casos, os pacientes de câncer morrem em pouco tempo. Logo, não haveria a quem responsabilizar a não ser o próprio câncer e ninguém virá a público discutir se seu parente morreu seis meses ou um ano antes do que deveria.

Mas uma criança ainda irá nascer e terá uma vida toda pela frente. E aí? Como lidar com as falhas dos medicamentos e, principalmente, com os efeitos colaterais? Ninguém vá dizer que só serão testados medicamentos que não terão nenhum efeito colateral, isso é absurdo, porque se os efeitos do medicamento já fossem conhecidos não haveria por que testá-lo.

As pesquisadoras, todas especialistas em bioética, se defendem: "Cerca de 500.000 mulheres grávidas passam por problema psiquiátricos, doenças auto-imunes e outras condições que exigem tratamento. Mas, na falta de pesquisas sobre como os medicamentos funcionam nas mulheres grávidas, os médicos freqüentemente têm que adivinhar como tratar de forma segura e efetiva as pacientes ao longo da gravidez."

Ou seja, na prática, os médicos estabelecem dosagens de medicamentos que podem estar completamente erradas, porque eles não sabem como o medicamento age na condição específica da gravidez, se ele passa através da placenta, como o corpo da mulher o metaboliza e libera.

Uma outra coisa que me chamou a atenção é que o artigo que acaba de ser publicado, chamado Risks, values, and decision making surrounding pregnancy é assinado por três mulheres. Além da Dra Anne, participaram Margaret Little e Ruth Faden, também ligadas à área de bioética.


Robo de seis pernas

Na Inglaterra já se pode comprar esse robô na forma de kit, por 105,00 libras naftalinas esterlinas - o que dá 130 euros, 170 dólares norte-americanos ou 355 reais, à sua escolha.

O filminho é cansativo, repetitivo mas, afinal, o que se pode esperar desses robôs de hoje em dia? Deve ser divertido montá-lo e vê-lo funcionar. Mas talvez seja mais divertido ainda fazer um remix do filme ao som de Macarena.




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Você certamente se lembra da reprogramação das células-tronco adultas - os cientistas descobriram que era possível fazê-las voltar no tempo e se transformar em pluripotentes, criando as células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPS (induced Pluripotent Stem cells).

Mas você sabia que apenas 1 em cada 10.000 células manipuladas podia ser persuadida a fazer essa volta no tempo?

Não desanime. Isso era até ontem. O Dr. Juan Carlos Izpisúa Belmonte, do Instituto Salk, descobriu melhores argumentos para conversar com suas células e agora ele é capaz de convencer até 100 delas a entrar na máquina do tempo.

É só 1% ainda, mas não é todo dia que se consegue melhorar um processo em 100 vezes. Além disso, o Dr. Belmonte melhorou os mecanismos da sua máquina do tempo e agora leva só 10 dias para que as células-tronco adultas tornem-se iPS.

A técnica foi capaz de reprogramar os queratinócitos ligados a um único fio de cabelo arrancado do couro cabeludo de um voluntário não identificado (como o Dr. Belmonte é quase careca, e o texto fala de "arrancado", e não "caído," não deve ter sido dele).

Os queratinócitos formam a camada superior da pele e produzem a queratina, uma proteína rígida que é a constituinte primária do cabelo, das unhas e da própria pele. Eles se originam na camada basal da epiderme, migram para as diferentes camadas do tecido, até serem eventualmente lançadas ao vento no processo normal de reposição de nossas células.

A grande vantagem de reprogramar células-tronco adultas é que os cientistas acreditam que isso eliminará o problema da rejeição, já que as células iPS serão geradas a partir de células do próprio paciente.

Os cientistas já conseguiram reprogramar células de outros órgãos de camundongos, mas as pesquisas divulgadas até agora em relação ao ser humano só trabalharam com células da pele. Eles também não sabem ainda porque os queratinócitos se deixam convencer mais facilmente do que as outras células a "voltarem à infância".

Então, anote aí, agora tem uma nova sigla, bem simpática, no mundo das células-tronco: KiPS (keratinocyte-derived iPS) - células-tronco pluripotentes induzidas derivadas de queratinócitos.

Artigo científico: Efficient and rapid generation of induced pluripotent stem cells from human keratinocytes



[Imagem: Thimmaraju Rudrappa]

Quando são atacadas por um microorganismo, as folhas das plantas emitem um SOS para suas raízes. As raízes respondem secretando um ácido que atrai bactérias benéficas, que prontamente movimentam-se para auxiliar a planta.

A descoberta, coordenada por Harsh Bais, da Universidade de Delaware (Estados Unidos), é mais um argumento contra a crença antropocêntrica de que as plantas são seres inertes à mercê de qualquer agente patogênico que caia sobre elas.

A pesquisa comprova a existência de um complexo sistema de sinalização no interior das plantas que pode ser diretamente comparado ao sistema nervoso dos animais, humanos inclusive. De maneira mais impressionante, o mecanismo agora descoberto pede o auxílio de agentes externos, bactérias benéficas que ajudam a a planta a contra-atacar o invasor.

Nos experimentos, Bais e seus colegas infectaram as folhas da <i>Arabidopsis thaliana</i> com <i>Pseudomonas syringae</i>. Em poucos dias, as folhas começaram a amarelar, mostrando os primeiros sintomas da doença. Entretanto, as plantas cujas raízes foram inoculadas com o benéfico <i>Bacillus subtilis</i> continuavam perfeitamente saudáveis.

Os cientistas detectaram a transmissão de um sinal de longa distância - um pedido de ajuda - que partiu das folhas em direção às raízes. As raízes responderam secretando o ácido málico, que todas as plantas produzem, mas apenas sob condições especiais e para finalidades específicas. O ácido málico atrai o <i>Bacillus subtilis</i>.

Imagens microscópicas das raízes e das folhas mostraram os efeitos da defesa criada pelo microorganismo salvador. Essas imagens comprovadoras da teoria foram feitas utilizando um microscópio confocal de varredura a laser. Na foto acima, o verde representa a bactéria benéfica, que formou um biofilme sobre a superfície da planta que foi atacada.

"As plantas não podem se mover de onde elas estão, então a única maneira que elas dispõem para atrair bons vizinhos é por meio da química," diz Bais.

Fontes:

Texto baseado em artigo de Tracey Bryant.

Artigo científico:
Root Secreted Malic Acid Recruits Beneficial Soil Bacteria



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Está nascendo o maior livro do mundo, que irá desbancar o atual recordista que consta no Guinness Book. O detentor do título atual é um livrão medindo 1,52 x 2,13, chamado Bhutan: A Visual Odyssey Across the Kingdom, feito no MIT.

O novo maior livro do mundo chama-se One Look at Mexico. Colors and Flavors e vai medir 2 x 2 metros e está sendo feito pela Agueda Editorial House. O recorde ainda não foi homologado porque o livro ainda está em processo de finalização.

A capa será feita de um tipo de papel chamado amate, um papel artesanal da era pré-colombiana. As páginas serão feitas de um produto sintético à base de polipropileno chamado Tyvek, fabricado pela DuPont.




Saiu o resultado do concurso Nikon Small World, que premia anualmente as melhores imagens de microscopia. Abaixo estão as que eu mais gostei dentre as vencedoras. Mais abaixo ainda o link para que você possa ver todas e escolher as suas.

Imagens de microscopio
Embrião de um pintinho, fotografado com uma ampliação de 6x por Tomas Pais de Azevedo, da Universidade de Lisboa.

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Besouro Chrysolina fastuosa sobre a cabeça de um alfinete, fotografado por Klaus Bolte com uma ampliação de 40x.

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Detalhe do estojo de um CD, fotografado por David Walker com uma ampliação de 5x.



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A Dra. María José Barral, da Universidade de Saragoça (Espanha) analisou 16.329 imagens dos 12 manuais de anatomia recomendados pelas escolas de Medicina das melhores universidades da Europa, Estados Unidos e Canadá. Ela verificou que a maioria apresenta imagens de homens brancos "com aspecto heterossexual" como modelo.

Corpos de homens e de mulheres

Quando as características que a imagem pretende ilustrar são comuns a ambos os sexos, há três vezes mais imagens de homens do que de mulheres - 14% contra 4%, sendo que as demais não permitem a identificação do sexo. Os seis manuais norte-americanos usam corpos masculinos em 17% dos casos e femininos em 5% para ilustrar "partes neutras." Nos manuais europeus, os números são 12% e 2%, respectivamente.

"Cada corpo tem características individuais, e quanto mais você vê, mais pontos de referência você tem - isto é uma vantagem na prática clínica," disse a pesquisadora em uma entrevista divulgada pela Universidade.

Raça branca típica

Em 9 dos 12 manuais analisados aparecem apenas pessoas de etnia caucasiana - todos os europeus mais a metade dos norte-americanos. Nos outros três, a raça branca está em maioria.

Somente um dos manuais possui paridade entre imagens de homens e mulheres e representou outras etnias, embora mesmo nele a "raça branca típica" esteja em maioria.

Não há uma imagem sequer dos membros inferiores de mulheres em quatro dos manuais (três europeus e um norte-americano), e nem dos membros superiores em oito deles (cinco europeus e três norte-americanos).

Segundo a pesquisadora, a contaminação sociocultural é evidente em algumas das imagens, tais como a variação nas linhas dos corpos femininos em consonância com as variações da moda, ou a representação de estereótipos sociais.

Questionamentos

A Dra. María solta seu verbo e faz vários questionamentos críticos.

Será que o fato de que a quase totalidade das mãos ilustradas serem masculinas representaria a "manipulação, um sinal de que a evolução de nossa espécie é uma característica masculina?"

O sistema circulatório é principalmente demonstrado em corpos femininos, enquanto o sistema nervoso é representado na maior parte das vezes em corpos masculinos. Será que isto se deve à crença de que o pensamento é atributo do homem e a nutrição é atributo da mulher?

"As pesquisas médicas em termos de diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças tem se focado nesse modelo de homens brancos heterossexuais, que são uma minoria neste planeta, e isto não reflete a verdadeira diversidade," bota pra quebrar a doutora María.

Segundo ela, a maioria das doses de medicamentos tem sido calculada usando esse modelo de corpo como base, sem levar as diferenças em conta. "Você está prescrevendo uma dose para outro corpo," alerta ela, admitindo que isto está começando a ser corrigido.

E ela termina chutando o balde: segundo a pesquisadora, alguns textos científicos apresentam os homens heterossexuais brancos como sendo o ápice da evolução.


Meus comentários

Em termos objetivos, o conceito de diversidade é tão importante e presente dentro da teoria evolucionista quanto a igualdade é cláusula pétrea do debate social atual. A valorização da diversidade parece caminhar lado a lado nos dois campos, um certamente influenciando o outro.

O que eu acho que o trabalho da Dra María expôs é o fato de que nos traímos continuamente ao explicitar velhas amarras, padrões de um mundo que não queremos mais, mas que teima em ser parte de nós. Ainda que poucos hoje admitam ser racistas ou "sexistas," a dominação branca-masculina de milênios está tão presente em nosso inconsciente coletivo que serão necessários séculos de contraponto para que possamos realmente evoluir para um patamar no qual o reconhecimento da diversidade seja um estado natural, e não uma máscara bem vestida.


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